Câmbio AW50-40LE: patinação, trancos, ruídos e possibilidades de reparo
- Equipe Automatik - Sivuca
- 19 de mai. de 2017
- 7 min de leitura
Atualizado: 31 de jul.
A transmissão automática AW50-40LE e suas variações equiparam diversos veículos comercializados no Brasil. Apesar de serem conjuntos conhecidos por sua resistência, podem apresentar trancos, patinação, perda de tração, ruídos e falhas que surgem depois do aquecimento.
Esses sintomas podem envolver fluido, pressão hidráulica, corpo de válvulas, bomba, solenoides ou componentes mecânicos internos.
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O que é a transmissão AW50-40LE?
A AW50-40LE é uma transmissão automática convencional de quatro marchas produzida pela Aisin Warner.
Ela trabalha com conversor de torque, engrenagens planetárias, embreagens internas, bomba de óleo, corpo de válvulas e gerenciamento eletrônico. Variações da família foram aplicadas em veículos de diferentes fabricantes, com alterações de calibração, componentes e capacidade de torque.
No Brasil, a transmissão é lembrada principalmente por aplicações em modelos como Chevrolet Vectra e Zafira. Entretanto, a identificação correta não deve ser feita apenas pelo modelo do veículo. Ano, motorização, etiqueta e código da transmissão precisam ser conferidos antes da compra de peças ou do início do reparo.
AW50-40LE, AW50-42LE e AW55-50 são a mesma transmissão?
Não.
A AW50-40LE e a AW50-42LE pertencem a uma família de transmissões automáticas de quatro marchas. Já transmissões como a AW55-50 possuem outra arquitetura e cinco marchas.
Embora alguns componentes ou conceitos possam ser parecidos, isso não significa que filtros, juntas, válvulas, solenoides e peças internas sejam intercambiáveis.
Uma peça aparentemente semelhante, mas destinada a outra versão, pode provocar restrição de fluido, perda de pressão ou dano mecânico. Por isso, a identificação técnica da unidade é uma etapa essencial do reparo.
Quais sintomas podem indicar problemas?
Entre os sinais que merecem atenção estão:
Patinação durante as acelerações.
Trancos ao sair ou durante as trocas.
Demora para engatar Drive ou Ré.
Desengate involuntário.
Perda de tração.
Ruído ou tranco ao selecionar a ré.
Funcionamento adequado quando fria e irregular depois de aquecer.
Falha na alavanca ou indicação incorreta da posição selecionada.
Entrada em modo de emergência.
Ruídos de bomba ou rolamentos.
Presença de água ou contaminação no fluido.
Esses sintomas não apontam automaticamente para uma única causa. A mesma sensação ao dirigir pode ser produzida por falhas hidráulicas, eletrônicas ou mecânicas.
Por que o câmbio pode funcionar frio e falhar quando aquece?
Com o aumento da temperatura, a viscosidade do fluido se altera.
Se existirem folgas em válvulas, desgaste de buchas, vazamentos internos ou perda de eficiência da bomba, a pressão pode se tornar insuficiente quando a transmissão atinge a temperatura normal de funcionamento.
Nesse cenário, o veículo pode começar a patinar, demorar para engatar ou perder tração.
Entretanto, também precisam ser considerados solenoides, sensores, filtro, nível do fluido e desgaste das embreagens internas. O comportamento quando quente é uma pista diagnóstica, não uma conclusão.
O corpo de válvulas pode causar trancos?
Pode.
O corpo de válvulas distribui o fluido pressurizado para os circuitos que aplicam as embreagens, os freios internos e o conversor de torque.
Quando válvulas ou alojamentos apresentam desgaste, parte da pressão pode escapar internamente. Isso pode gerar atraso no engate, trancos, reduções fortes e funcionamento irregular.
Dependendo do ponto e da intensidade do desgaste, podem existir procedimentos de usinagem e instalação de válvulas de medida corrigida.
Esse tipo de intervenção, porém, deve ser indicado somente depois dos testes. Não existe uma única válvula capaz de resolver todos os sintomas da família AW50-40LE.
Tranco ao sair pode ter relação com o sistema de neutro automático?
Algumas aplicações utilizam estratégias que reduzem a carga da transmissão quando o veículo permanece parado com o freio acionado.
Quando o motorista solta o pedal, o sistema precisa reaplicar a transmissão de forma progressiva. Falhas de pressão, desgaste hidráulico ou problemas de controle podem provocar atraso seguido de um engate brusco.
Mas esse sintoma também pode envolver coxins, marcha lenta irregular, alavanca, solenoides ou desgaste interno. O diagnóstico precisa avaliar o veículo como um conjunto.
O filtro entupido pode destruir a transmissão?
Um filtro obstruído pode restringir o fluxo de fluido e prejudicar a alimentação da bomba.
Isso pode reduzir a pressão, afetar a lubrificação e ampliar o desgaste interno. Porém, a obstrução também pode ser consequência de uma transmissão que já está liberando excesso de material de atrito ou partículas metálicas.
Portanto, não basta trocar o filtro. É necessário investigar de onde vieram os resíduos e verificar se já existem danos em embreagens, bomba, rolamentos ou componentes hidráulicos.
A bomba de óleo pode quebrar?
Pode.
A bomba é responsável por produzir a pressão hidráulica necessária ao funcionamento da transmissão.
Falhas podem estar relacionadas a desgaste, contaminação, falta de lubrificação, montagem incorreta ou problemas no conversor de torque.
Intervenções feitas sem ferramentas e procedimentos adequados também podem danificar a bomba ou comprometer seu acoplamento.
Quando existe ruído, baixa pressão ou perda de tração, a bomba precisa ser avaliada junto com o restante do sistema.
A falta de troca de fluido é a causa de todos os defeitos?
Não.
Fluido deteriorado, nível inadequado e manutenção negligenciada podem contribuir para desgaste, superaquecimento e contaminação. Porém, não é correto atribuir a maior parte das falhas exclusivamente ao hábito do proprietário.
Componentes envelhecem, vedações endurecem, válvulas e buchas sofrem desgaste, solenoides podem falhar e reparos anteriores podem ter sido executados incorretamente.
Em veículos com muitos anos de uso, o histórico completo costuma ser mais importante do que uma única explicação.
É obrigatório fazer flushing a cada 30 mil quilômetros?
Não existe um intervalo universal aplicável a todas as versões e condições de uso.
O plano de manutenção deve considerar o fabricante do veículo, o tipo de fluido, o histórico, a aplicação e o estado real da transmissão.
Também não é correto afirmar que a máquina substitui necessariamente a totalidade do fluido. Parte dele pode permanecer em circuitos, no conversor e em componentes internos, dependendo do equipamento e do procedimento utilizado.
Em uma transmissão saudável, a renovação do fluido pode fazer parte da manutenção. Quando já existem patinação, ruído, trancos ou excesso de resíduos, o diagnóstico deve vir antes de qualquer procedimento de troca.
Qual fluido deve ser utilizado?
A especificação varia conforme a aplicação e a versão da transmissão.
Por isso, não é seguro afirmar que toda AW50-40LE utiliza simplesmente “Dexron III”. O produto deve ser definido a partir do veículo, ano, identificação da transmissão e documentação técnica correspondente.
Misturar fluidos incompatíveis ou utilizar um produto apenas porque possui aparência semelhante pode alterar o comportamento de atrito, o controle hidráulico e a qualidade das trocas.
Como é feito o diagnóstico?
Uma avaliação especializada pode envolver:
Identificação exata da transmissão.
Entrevista sobre os sintomas e o histórico.
Teste de rodagem com o conjunto frio e aquecido.
Leitura dos códigos de falha.
Verificação da alavanca e dos sinais elétricos.
Análise da pressão hidráulica.
Teste dos solenoides.
Inspeção do fluido, filtro e cárter.
Avaliação do corpo de válvulas.
Teste da bomba e do conversor de torque.
Inspeção das embreagens, rolamentos e componentes internos, quando necessária.
Essa sequência permite definir se o caso exige manutenção, correção hidráulica, substituição de componentes ou reconstrução completa.
O câmbio AW50-40LE pode ser reparado?
Sim.
Dependendo da falha, o serviço pode envolver corpo de válvulas, solenoides, filtro, elementos de vedação, bomba, conversor de torque, rolamentos, discos ou componentes internos.
Entretanto, a possibilidade de um reparo localizado depende da condição do fluido, da contaminação e da extensão dos danos.
Quando o veículo rodou por muito tempo com patinação ou perda de pressão, a intervenção pode precisar abranger toda a transmissão.
Continuar rodando pode piorar o problema?
Pode.
Patinação, baixa pressão e falta de lubrificação geram calor e aceleram o desgaste. O material liberado pelas embreagens pode circular pelo sistema, atingir o corpo de válvulas e restringir filtros e passagens.
Se houver perda de tração, ruído metálico, patinação intensa ou falha completa de engate, o mais prudente é evitar continuar utilizando o veículo até a avaliação.
Conclusão
A AW50-40LE é uma transmissão conhecida e reparável, mas possui variações que precisam ser corretamente identificadas.
Trancos, patinação, falha quando quente e ruídos na ré podem envolver corpo de válvulas, solenoides, filtro, bomba, conversor ou desgaste interno.
A Automatik realiza diagnóstico e reparo das transmissões AW50-40LE e AW50-42LE em São Paulo, avaliando o sistema hidráulico, eletrônico e mecânico antes de indicar o serviço.
Seu Vectra, Zafira ou outro veículo equipado com essa transmissão apresenta trancos, patinação ou perda de tração?
Entre em contato com a Automatik e agende uma avaliação especializada.
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